Do pop ao indie: Os festivais nossos de cada dia

por Maikol Vancine colunista do Espaço MOG

 

Nos últimos anos o Brasil foi invadido por festivais e shows internacionais, mas 2011 extrapolou a conta. Se citarmos somente os dois maiores festivais do país, Rock in Rio e SWU, e o mais queridinho, o Planeta Terra já temos argumentos suficientes para provar que somos a “bola da vez” no mundo da música. E essa conta não se resume apenas a estes três majors.

Não podemos nos esquecer dos eventos menores como o “pocket festival” Popload Gig, além, claro, dos shows internacionais como U2, Pearl Jam e Aerosmith.

E a explicação para esta explosão pode estar em uma frase de Bono Vox. Em entrevista para o UOL, durante a passagem do grupo pelo país este ano, Bono disse que “o Brasil sempre foi conhecido pelo futebol e pelo carnaval. Agora conhecemos o Brasil que é um gigante econômico, um país inovador”. E é justamente esse crescimento que possibilita a contratação de shows internacionais.

Para ter ideia, Perry Farrell organizador do Lollapalooza, que acontece no país em abril do ano que vem, admitiu em entrevista para a Folha de São Paulo, que o Brasil foi escolhido para acolher o evento como uma forma de “ajudar a custear o festival no Chile”. Ou seja, o dinheiro está aqui.

Por outro lado, entra também a disposição do brasileiro de frequentar shows e festivais e de pagar os valores exorbitantes dos ingressos. Essa disposição ainda não chega perto da de outros países, como o próprio Chile, que antigamente era o responsável por muitos shows que aconteciam aqui. Se uma banda ia se apresentar por lá, era praticamente certeza que ela iria vir para o Brasil. Os custos de logística também facilitavam a vida dos chilenos. Hoje, com o real forte, a história começa a se inverter.

Mas o brasileiro está mais aberto, além do “dinheiro no bolso”, tem a internet, que cada vez mais divulga bandas e dá acesso as músicas. Traz informação sobre onde, como acontece um evento, quem vem e quem pode vir, quem cancelou. Isso gera expectativa e um corre-corre pela rede que acaba chamando a atenção até daqueles mais desavisados, que acabam indo na onda e colaborando para aumentar o público.

Outra vantagem da internet é a facilidade para comprar um ingresso, achar um hotel para se hospedar, encontrar um van que vai para um show, ou até mesmo reunir uma galera de desconhecidos para curtir um festival.

Ainda estamos longe de ter tradição em eventos desse porte, como os Estados Unidos e alguns países europeus têm, mas o Brasil tá na pegada e resta esperar que essa onda de festivais não seja apenas uma marolinha e que dê pra gente surfar nela muito tempo. Mas antes de encerrar eu tenho que fazer uma pergunta: você leitor, acha que os festivais e os shows internacionais estão na moda, com prazo para acabar, ou o Brasil está criando uma cultura de realizar este tipo de evento?

Maikol Vancine é jornalista e mantém o blog popindie.com.br

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